Uma conquista do movimento negro II - A educação.Luis Sergio da Silveira - Juiz de Fora / MG
Pós-Graduado em Filosofia Moderna e Contemporânea.
Email: dmalevisilveira@hotmail.com “Brincar não é perder tempo, é ganha-lo. È triste ter meninos (as) sem escola, mas, mais triste vê-los enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis sem valor para a formação humana.” Carlos Drumonnd de Andrade O Movimento Negro deve intervir neste século XXI mais uma vez como protagonista da historia na área de educação, já que ao longo destes 120 anos de luta inconclusa contra e escravidão e o racismo propusemos várias temáticas e que hoje vemos serem implementadas e que alguns setores da sociedade que antes condenavam tentam se apropriar num golpe lesa pátria e de intolerável obscenidade. O atual sistema de cotas da UFJF estabelecido depois de longos anos de discussão por parte do movimento negro brasileiro deve ser ampliado com zelo para corrigir as distorções hoje percebidas. Acredito que num estado democrático de direito (significa que nenhum indivíduo, presidente ou cidadão comum, está acima da lei), às pessoas que burlam as leis devem responder por seus atos desmedidos e provocador das ordens jurídicas legais, e os que entraram pelo sistema legal de cotas, burlando princípios éticos e morais “auto-declarando negros (as)”, podem e ainda a tempo de redimir num ato honrado e brioso, vir a publico e se colocar a serviço da discussão democrática com o movimento negro. Estas pessoas terão lugar nas instituições, núcleo de estudos (NEAB/UFJF), cursinhos populares e outros espaços criados ou serem criados para justificar a sua opção racial e étnica. O Movimento não fará uma caça às bruxas para identificar estas pessoas, mas, exige mais consciência política e respeito às lutas históricas. As políticas públicas de ações afirmativas entre elas as cotas, não é uma dádiva ou concessão benemerente por parte do governo (universidade), são anos de lutas como podemos citar: Frente Negra Brasileira fundada em 16 de setembro de 1931; o Teatro Experimental do Negro (TEN) 1944, criado por Abdias Nascimento, no Rio de Janeiro, Grupo de União e Consciência Negra, Movimento Negro Unificado, Agentes de Pastoral Negros e em nossa cidade várias entidades, entre elas o Núcleo de Estudo e Pesquisa Afro-Brasileiro/NEPAB, que num projeto ousado e inédito cria a Biblioteca de Assuntos Afro-brasileiros Lélia Gonzalez, para trabalhar pela valorização social do negro no Brasil, através da educação, pesquisa, da cultura e da arte do povo negro. Um pouco de história não faz mal, e relembremos; o decreto nº 1.331, de 1854 e o aviso Imperial 144, de 1864, não permitiam o acesso de escravos à escola; com a proibição do trafico negreiro em 1850, a corte concedeu nacionalidade portuguesa aos traficantes brasileiros estabelecidos na Costa d África e atribuiu a alguns deles títulos de nobreza; em 1878, outro decreto nº. 7031-a, de 06/09/1878 estabelecia que os negros só pudessem estudar no período noturno e diversas estratégias foram moldadas no sentido de impedir o acesso pleno dessa população nas escolas. O Senador Paulo Paim (PT-RS) em seu projeto na CDH quer transformar os 120 anos (1888-2008) de Abolição inconclusa da escravidão e racismo em debate nacional e faz sentido, já que com todas as garantias legais ainda a pessoas que discutem a legalidade das políticas de cotas nas universidades publicas e do prouni, não me surpreenderia se algumas dessas pessoas viessem questionar a legalidade do ato imperial de 13 de maio de 1888. Por isso acredito que a proposta do senador deva ser discutida em todas as esferas da sociedade brasileira, hoje apontados por todos os indicadores econômicos, sociais, culturais das grandes agencias governamentais e privadas de pesquisas mostram que as desigualdades raciais e sociais no Brasil tendem a cair a partir do acesso e manutenção dos alunos (as) nas escolas e universidades.
VALORIZAÇÃO DE NOSSAS ORIGENS
|